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Viagem pela América do Sul de moto

Fiquei 5 meses viajando pelas estradas na Améria do Sul, usufruindo da belez da paisagem. Um verdadeiro paraíso. 

Às vezes eu penso o quanto as estradas podem falar sobre o lugar de onde foram construídas. 

Nessa viagem pela América do Sul, isso ficou evidente. 

Tudo que envolve a estrada, desde a sua forma, estrutura, cor, composição etc., elas falam sobre a região, sobre as pessoas, sobre a cultura, sobre a geografia… sobre tudo! 

Quem sou eu?

Sou Rodrigo Schmiegelow, publicitário, sempre tive o sonho de viajar e conhecer cada porção do mundo, das culturas, das pessoas, da gastronomia… Desde meus 16 anos eu tenho essa paixão, e desde que eu comecei a acreditar nesse sonho como algo que realmente poderia acontecer, foi quando eu reorganizei minha vida, juntei dinheiro, conquistei clientes que me ofereciam flexibilidade e fui para essa aventura.

Realizei uma longa viagem pela América do Sul no último ano passando por mais de 140 cidades em 5 meses e vou contar um pouco desta jornada por aqui, acompanhe!.

Hoje trabalho com Marketing Digital, uma das áreas mais flexíveis seja para atender os seus próprios clientes ou para abrir negócios online, conheça mais no meu site caranaue.com onde tem muitas matérias sobre o assunto. 

Hoje eu sou nômade digital, você sabe O que é ser nômade digital?

Continuando minha viagem de moto pelas estradas da América do Sul…

Sou de São Paulo e queria viajar por estradas mais tranquilas e curtindo a paisagem. Vocês já até devem imaginar o porquê. 

São Paulo é muito grande, tudo é muito movimentado, qualquer lugar que a gente vai tem carro, moto, caminhão, ônibus etc. Tem de tudo e muito, e nem se fala em pessoas, que aí a gente perde a cabeça (haha).

No final, eu só fui conseguir essas estradas depois de 80km pela Raposo Tavares fazendo um caminho mais longo para chegar no PETAR, meu primeiro destino.

cachoeira caverna agua suja petar
Caverna água Suja em PETAR

Acabei dando sorte, consegui uma estrada do estilo que eu gosto, por coincidência, era daqueles com muitas curvas e vegetação, fazendo um grande Zig Zag sem fim. 

Inclusive, acabei descobrindo que a 373 era famosa entre os motociclistas, porque cheguei em Apiaí e havia um monte de adesivos de motoclubes. 

Em seguida entrei em uma estrada de chão de Serra que dava acesso ao Petar, não muito bem cuidado, mas era bem bonita, aliás havia trechos em que só se passava um automóvel por vez de tão desabada que era. 

Toda essa belezura foi só o primeiro dia de viagem pela América do Sul, imagina o que ainda está por vir.

Depois de alguns dias, eu resolvi descer ainda mais para o Sul e dar uma volta no Lago dos Patos para ver se eu achava alguma praia por lá. 

No começo de toda essa história, havia um trecho em que o vento empurrou a areia das dunas. Tentando cortar o trânsito titubeei muito, quase caí, passando em um monte de areia. Foi uma adrenalina boa que queria repetir.

Descobri que para chegar a qualquer praia pela BR 101 eu teria que atravessar estradas de areia, e só de pensar já me arrepiei. Até que por sorte, parei em uma cidade perto para trocar o óleo da moto e o mecânico me deu uma boa dica: esvaziar o peneu traseiro e ir com fé (haha).

Parei na próxima pousada, descarreguei as malas e fui direto para a praia de moto

Comecei com medo, titubeando, quase caindo. 

Resolvi seguir a dica do mecânico, atravessei um longo trecho, até alcançar uma curva, na qual eu caí. Insisti mais um pouco, cheguei em outra curva, vi que ainda faltava muito e resolvi voltar.

Acabei aproveitando o sol baixo da região, tirei umas fotos, subi na moto e fui acelerando sem medo. Consegui andar bastante, quando eu quase caia, eu acelerava mais, até que me empolguei muito e acabei caindo (haha) e entortando o pedal do câmbio. Por sorte encontrei um mecânico que me ajudou a consertar o pedal. 

Depois disso as estradas da América do Sul no Uruguai foram longas e intermináveis retas com fazendas. Tanto beirando o oceano quanto no interior. Parece que o país não tem nenhuma montanha.

Playa de Rivero, Punta del Diablo, Uruguai
Playa de Rivero, Punta del Diablo, Uruguai

No caminho eu encontrei uma pista de pouso para aviões na própria estrada, achei muito interessante, uma pena que não vi nenhum avião pousando. 

O começo da minha trajetória nas estradas da América do Sul na Argentina foi bem parecido, havia muitas retas e fazendas.

Vi um lugar lindo por lá, era um estilo Pantanal com vegetação baixa e uns lagos pequenos visíveis de cima das pontes.

Mas achei que as estradas não eram tão conservadas quanto a do Uruguai,  acabei pegando muito buraco e acostamento cheio de lama, em umas dessas acabei caindo e por outra sorte um cara acabou me ajudando. 

Sim, eu dou muita sorte (haha). 

Após alguns dias de viagem, eu cheguei em outra província (província lá é como se fosse os Estados aqui no Brasil), foi aí que o cenário mudou. 

Andei por serras incríveis com variadas vegetações, desde rasteiras até mais altas, com pedras e cachoeiras.

Subi uma serra de chão em La Falda com curvas em cotovelo íngremes e esburacadas mas que me levou à uma bela vista em seu topo.

Continuei por ela e acabei saindo em uma das rodovias mais bonitas que já passei.

La Faula, Argentina. Viagem pela América do Sul
La Faula, Argentina

Na minha viagem pela América do Sul, quando Cheguei em Mendoza conheci um viajante de moto e decidimos ir junto aos Andes até as fronteiras do Chile. 

Foi realmente muito maravilhosa essa experiência, estar no meio de montanhas, subir ao topo do Cristo redentor de Los Andes, que fica bem no meio da divisa da Argentia e Chile.

O caminho para chegar até lá foi marcado com curvas, uma da qual  foi a mais fechada que eu já passei, o topo chega a alcançar 3.800m, o ar é muito rarefeito e tem muito vento. 

Cristo redentor divisa Argentina e Chile, Viagem pela América do Sul
Cristo redentor de Los Andes, divisa entre Argentina e Chile

Resolvi descer para o Sul da Argentina, até vi que a estrada era de terra, mas depois de tudo que eu passei, eu estava confiante o suficiente para encarar, o que poderia ser pior do que cair nas estradas de areia do Chile? Pois é, sempre pode piorar (haha). Começou uma estrada de terra e muitas pedras, quanto mais árido ficava, aquilo se transformava em areião. 

Durante minha viagem pela América do Sul eu entrei na Patagônia depois de muito quilômetros embaixo de um sol de torrar e um trecho de mais de 120 km de rípio.

Mas valeu muito a pena, porque chegando na Patagônia, ainda pela Rota 40, a paisagem é linda, com muitos pinheiros e montanhas, além do famoso trecho dos 7 lagos.

Passei pelo dia mais frio da viagem, lá em Bariloche estava 11 graus, e estava com uma garoa que molhou, fiquei com tanto frio que perdi a sensibilidade dos meus braços, quando eu tirava a mão do guidão eu não consegui achá-lo novamente. 

Vulcão Osorno, Los Lagos, Chile. Viagem pela América do Sul
Vulcão Osorno, Los Lagos, Chile

Depois comecei a ir ao Norte do Chile, foi difícil achar rotas alternativas no litoral. No final passei por pequenas serras com uma vista incrível do Oceano Pacífico, passei por alguns vilarejos e comi muita empanada com frutos do mar.  

Passei por alguns perrengues, quando os cachorros começaram a me perseguir e até pegaram a ponta do meu tênis. Tem muito cachorro nessas cidades pequenas. 

Finalizei minha pela América do Sul com o Atacama, fiquei impressionado com as lindas estradas e bem conservadas, até vi caminhão pipa  hidratando a rota e muitos animais nas encostas. 

A mão do deserto - Atacama, Chile
A mão do deserto – Atacama, Chile

Tive a experiência de realmente ver como o vento pode influenciar.

Na Argentina o vento estava contra, já no Chile estava a favor, e é nítido a diferença de cansaço e combustível gasto.

Único problema que tive nesse trecho foi a poeira, em muitos momentos a poeira acabava fechando mais a vista do que muitas neblinas por aí.

Posso falar o que for a respeito de toda a experiência que eu passei, mas vocês só vão entender de verdade quando de fato passarem por isso. Como ter a sensação de ver uma paisagem tão linda a ponto de tirar o fôlego ou ficar com muito medo de passar por um areião e cair (haha). 

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